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Thiago Gama | Site Oficial

Algumas reflexões sobre o futuro pós-pandemia

A pandemia trouxe uma ressignificação em nossa história num período atípico, em que instituições, governos e relações humanas foram levados ao limite. Desde a primeira notícia de que um estranho vírus mortal surgiu na metrópole chinesa de Wuhan e começou a se espalhar, primeiro para os vizinhos asiáticos e depois para a Europa, o conceito de normalidade entrou em colapso. Não imaginávamos que esse vírus chegaria tão longe e permearia os quatro cantos do planeta.

As primeiras cenas dos enormes hospitais de campanha da China, o desespero do país em produzir aparelhos respiratórios e máscaras descartáveis ​​deram lugar a imagens de navios de cruzeiro em quarentena, hospitais cheios de pacientes, caixões enfileirados esperando para serem enterrados em cemitérios além de sua capacidade e etc…

A situação estava incontrolável e as notificações de casos e óbitos surgiram em todo o mundo e o Brasil passou a ser a escala do novo coronavírus em fevereiro de 2020, praticamente ao mesmo tempo em que a crise de saúde era classificada como pandemia. O fato é que a Covid-19 mudou a normalidade de outrora em nossas vidas.

Entramos em 2021 com a chegada das vacinas contra a doença. E mesmo com o imunizante disponível, as mudanças engendradas nos últimos meses vão deixar rastros permanentes, além de provocar profundas reflexões sobre os caminhos que queremos – e podemos – seguir. Mas o meu convite a vocês é que pensemos nas mudanças mais profundas, aquelas transformações que devem moldar a realidade que nos rodeia.

Nos ambientes de trabalho, podemos constatar que hábitos, costumes e valores estão mudando e afetando as relações de trabalho. Estamos começando a ver que não precisamos de tantas pessoas trabalhando no mesmo lugar todos os dias por tanto tempo. As empresas estão apostando e se especializando em sistemas de informação, incorporando o processo digital. Mas essas são pequenas mudanças em relação ao que podemos esperar.

Muitos futuristas dizem que o coronavírus funciona como um acelerador de futuros. A pandemia antecipa mudanças já em curso, como o trabalho a distância, a educação a distância, a busca pela sustentabilidade e a demanda social por empresas mais socialmente responsáveis. E isso é perceptível.

Outras mudanças foram mais embrionárias e talvez ainda não tão perceptíveis, mas agora ganham um novo significado diante da revisão de valores em meio a uma crise de saúde sem precedentes para nossa geração. Alguns exemplos, podemos citar o fortalecimento de valores como a solidariedade e a empatia entre as pessoas e organizações, bem como o questionamento do modelo de sociedade baseado no consumismo e no lucro a todo custo.

Por outro lado, infelizmente, durante a pandemia da Covid-19, o negacionismo no Brasil adquiriu proporções alarmantes, manifestando-se na negação ou minimização da gravidade da doença, no boicote de medidas preventivas, na ausência de um plano estratégico nacional de saúde, na subnotificação de dados epidemiológicos, recomendações de tratamentos sem validação científica e tentando desacreditar a vacina, entre outros exemplos. Tudo isso comprometeu a resposta do país à pandemia.

Mas a boa notícia é que, no mínimo, algumas lições duramente conquistadas provavelmente ganharão força nos próximos anos. Além das mudanças impostas pela pandemia, a crise que vivemos deve servir de oportunidade para nossos representantes definirem como prioridade o investimento permanente na ciência e na melhoria do sistema público de saúde. No entanto, a sensação é que aprendemos muito pouco, perante um futuro que nos reserva.

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